Primeiro peço desculpa pela ausência mas a vontade não era nenhuma de vir até aqui, precisei de mais uma pausa na vida para pensar.
Alguns não entendem o comportamento da minha mãe, eu passo a explicar: a minha mãe tem 4 filhos, os primeiros 3 fruto de duas relações anteriores ao meu pai, casa com o meu pai e nasço eu. Eu fui a unica filha que vivi sempre com ela, os outros 3 ficaram a viver com os avós, a minha mãe nunca lhes deu carinho, amor, mandava dinheiro e mais nada. Nasci eu, quem me deu sempre amor, carinho, e me ensinou tanta coisa da vida foi o meu pai que de facto, ele sim dedicou se de corpo e alma à filha, a minha mãe era mais para mandar, nunca deu um beijo, um carinho, da minha mãe guardo recordações de gritos, berros, tipo militar, nunca se chegou amim quando estive doente, lembro me de uma vez ter ficado com um braço de gesso devido a uma lesão numa bainha do tendão e quando cheguei a casa ela desatou aos berros, porque eu fui colocar o gesso prepositado, e ainda por cima no braço direito, era para não fazer nada.
Tive na minha vida tantas situações destas, tanto grito; que chegou um dia e fugi de casa estive uma semana fora, só o meu pai sabia onde estava. Ela prometeu que melhorava o feitio e no dia que cheguei a saga continuou...
Mãe a sério aquela que mima, que está por perto, que dá força, que dá um beijo no momento certo, que unifica os filhos para que todos eles se deem bem, essa eu nunca tive, nunca conheci.
Nasceu para procriar, e para trabalhar, o resto não interessa, a frase que ela mais gosta de dizer é que aos filhos nunca lhes faltou comida. Mas e o resto? Aos meus irmãos faltou tudo, a mim faltou-me a mãe.
Muito mais haveria a dizer pelos meus 43 anos, são muitos anos, muitas estórias, muitas lutas, haverá tempo para desabafar por aqui, haverá também tempo para vos dizer que consegui ao fim de muito lutar de ser feliz.