Da AusênciaNum deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Isto é uma forma de explicar a minha ausência, foi prolongada, foi sofrida, porque mais uma vez me fui abaixo das "canetas", são tantas coisas que me rodeiam, são tantos turbilhões que faço na minha cabeça, que eu própria não sei lidar com eles, são sentimentos, são situações que não sei gerir e de quando em vez procuro o silêncio absoluto, a escuridão profunda e só no meu cantinho eu me sinto segura. Acreditem que não me esqueci de nenhum de vocês, todos os dias eu penso que tenho que aqui vir mas na recta final recuo e vou até ao meu cantinho, se não existisse o Rui, a Teca e a minha mãe eu partiria definitivamente para Angola onde penso, sei e acredito que seria feliz, estando com quem está pior do que eu e com tanta falta de tudo vive a vida e a encara de uma forma muito mais positiva do que eu. Acredito que crescia mais, e aprenderia a lidar com todos os meus ataques de maneira diferente, mas agora aqui eu tomo comprimidos, eu fecho-me, eu calo a dor que me vai no peito, eu suo com pânico, eu estico o meu dinheiro, eu dou voltas e mais voltas para sobreviver neste país que nada me dá só me tira, e tira-me muitas horas de sono e dá-me muito sofrimento, sou feliz com as pessoas que tenho neste momento, mas já fui tão infeliz nesta cidade, que o que quero é ir-me embora desta terra e recomeçar na Maia, tudo de novo, já que não vou definitivamente para Angola, eu quero transferência para a Maia.
Depois disto tudo, e se chegaram aqui, obrigado por me terem aturado mais uma vez.